Cristina Ribeiro - Prosa & Verso
"Eu sei que canto e a canção é tudo" - Cecília Meireles
Textos
Raça, racismo e ódio racial no Brasil
O Brasil tem uma população caracterizada pela miscigenação, fenômeno originado pelo encontro de várias raças num país. Na sua formação básica, o negro teve uma participação fundamental, principalmente com relação à cultura. O samba, a cor mulata e diversos pratos da nossa culinária, por exemplo, têm suas raízes na ligação do negro com o branco, proporcionada pela vinda dos escravos africanos para o solo brasileiro. O Brasil foi a segunda colônia que mais recebeu negros africanos no mundo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
No entanto, as belas manifestações culturais negras não foram aceitas de imediato pela sociedade aristocrática que tinha as rédeas do poder nas mãos. Um grande exemplo a ser lembrado é o de Chiquinha Gonzaga. Filha de branco com mulata, apesar de toda uma rígida formação e estudo, a compositora e pianista se deixou levar pela influência musical dos negros. Se apaixonou pelo lundu, pelo batuque nas senzalas, vindo a compor um tipo de música que não era comum em uma sociedade influenciada pelos costumes franceses. Chiquinha foi bastante repudiada e teve sérias dificuldades para conquistar o seu espaço na música. O preconceito dos brancos falava mais alto, pois os negros, desde que aqui chegaram, permaneceram num processo de exclusão, limitados a trabalhos forçados, sem direito a participar da vida social e cultural do país. Com a abolição, se libertaram das correntes, mas foram entregues à própria sorte. O mesmo grupo que lutou pelo fim da escravatura não deu a eles o apoio necessário para uma inclusão social. Desde então, travam lutas diárias para superar preconceitos que tanto impedem sua escalada social. Ainda hoje são malvistos e mal recebidos em determinados ambientes, eventos e ocasiões. São revistados em blitz de forma humilhante. E mesmo os atores, geralmente, representam personagens de baixa-renda. Raramente desempenham o papel de um protagonista, como é o caso do Lázaro Ramos em “Insensato Coração”, novela da Globo. Um exemplo também muito interessante é a queixa de palestrantes doutores muitas vezes confundidos com músicos de banda pop em aeroporto.
Enfim, o Brasil é um país marcado pelos ideais colonialistas. Tanto os negros quanto aqueles que representam a diferença no âmbito social, muito têm ainda que lutar para alcançar um espaço digno na pirâmide social do país. É inútil negar que hoje no Brasil não existe preconceito, pois ele é difundido hipocritamente em nosso dia-a-dia. Faz parte da nossa cultura negar qualquer preconceito. Mas, de forma velada, podemos observar que ele existe o bastante para reprimir e submeter todo um grupo de seres humanos, como gays, índios e mulheres à exclusão social.  Em São Paulo os casos de homofobismo nas ruas vêm sendo, cada vez mais visto. De uns tempos para cá, esse assunto vem tomando cada vez mais repercussão em redes de televisão, jornais e internet. Mesmo com toda a nossa miscigenação, ampla cultura e uma simpatia grandiosa para com os estrangeiros, o brasileiro em seus âmbitos tem sido cada vez mais hostil com o próprio compatriota. Toda essa alegria, benevolência e simpatia, que toma conta de nossas imagens mundo a fora, aqui dentro do país vem tomando uma cor muito escura e primária neste quadro pintado “para inglês ver”.

Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 25/04/2011
Alterado em 28/07/2026