Cristina Ribeiro - Prosa & Verso
"Eu sei que canto e a canção é tudo" - Cecília Meireles
Textos
As velhas news da Globo News
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        Mandando esse tal de Estúdio i para lá do Z, pensando até em inventar um alfabeto novo que traga palavras diferentes. Cansada dessa lenga-lenga permanente de verbosinhos e toda classe de palavra, enfim, todo o léxico comprometidos até o pescoço quando se trata de povo. Farta de ver minha língua a serviço de um eterno, velho e mesmo complô. A coisa do jornalista, em geral, não afiniza com a grande maioria. Coisa de conluio: o cara segue a coreografia costumeira que puxa a sardinha para as mesmas brasas de ouro em trempes de prata.

          Como se não bastasse, ainda tem a Sadi, âncora do programa, que é talentosa, inteligente, mas... não gosta de gerúndio. A Língua Portuguesa corre risco de morte na boca dessa criatura. Não sei quantas vezes ouvi coisas do tipo: falano... voano... andano... Um dano diário, de segunda a sexta, à gramática na GloboNews. E ainda tem a galera da reportagem que arrebenta impiedosamente com a regência, o que poderia infernizar a paz de todo gramático que partiu para o éter — mas lá não tem televisão.

          Vou falar antes que me acusem de pedantismo ou coisa parecida: quando se trata de fala, eu sei que existem modalidades! Ninguém precisa sair por aí esbanjando língua culta. Imagina no McDonald's: "Meu caro jovem, quer ver-me um cheeseburger com uma Cula-Cula e fritas, por obséquio?". O sujeito vai registrar o pedido com os olhos quase caindo da cara diante de tal desajuste. Mas, no caso da âncora em questão, tinha que ter lá dentro um produtor que lembrasse a ela o alcance desses holofotes que catapultam suas conjugações grotescas a milhões de seres que habitam talvez vários continentes. Quer fazer um programa leve, com falas coloquiais? Ok. Mas põe umas normas gramaticais na situação.

          É tão doloroso quanto irritante engolir pelos ouvidos certos cacos mal aparados da língua — e via satélite! — que talvez seja melhor mandar para os abissais do esquecimento essa GloboNews. Não é para ouvir palavras de incentivo à história de sempre, nem receber, tímpano adentro, rajadas diárias de uma LP destroçada que a gente paga essa M de TV!
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 23/12/2024
Alterado em 06/07/2026