Lados de mim
Quando acordo,
nem sei para que lado
de mim eu olho.
Tenho um lado que dança
sem música.
Um lado dionisíaco
sem sexo,
sem vinho.
Um que é psiconauta
nato,
sem hipnose,
sem drogas,
em que várias de mim cantam
ópera rock,
escrevem,
brincam de roda,
riem,
vomitam realidades
ingeridas a muque
e bebem sonhos
que lavam o espírito.
Na ventre, o fantasma da solidão retirado à fórceps .
Nos olhos, a miragem da maçaneta
de uma porta
que nunca abriu.
Sob os pés,
estrelas invisíveis a olho nú.
No tempo:
a morte/o infinito...
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 09/05/2025
Alterado em 06/03/2026