Luto
Estou de luto.
Enterrei um poeminha ordinário
e desobediente.
Gramaticalmente insustentável
Nasceu em um fim de semana.
Morreu na sexta
Foi pra cesta
Virou lixo.
Fiz por ele o que pude.
A culpa foi de um desses
"eus-líricos"
que me habitam.
Acometido de eros,
imaginou uma conversa entre peles.
E, cego de amor,
não demorou a chegar ao sistema em Braille.
Mas não achou o caminho.
Acometido de erros,
destruiu um verbo,
fraturou um verso.
Que ele encontre a luz...
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 23/05/2025
Alterado em 11/06/2026