Ele, o táxi e eu
Depois da palestra, vi quando ele entrou no táxi e partiu...
Eu e o resto, ao meu redor, ficamos.
Fez-se o nada e a rejeição recíproca entre mim e as coisas.
Não havia sequer uma recompensa, apesar dos vitrais;
nem mesmo as luzes néon e o céu com seus habitantes siderais, que tanto encantam, resgataram o sentido e a sinestesia natural da existência ali.
Fosse manhã, o sol não brilharia
nem o canto das aves, entre flores e verdes folhas, me inspiraria ou provocaria em mim qualquer entusiasmo.
Foi com ele tudo o que havia, o que eu pensava não existir quando o vi pela primeira vez.
Ficou o nada novamente, capaz de sugar o interior dos seres
e injetar substâncias paralisantes em toda a química da continuidade e da permanência.
O tempo se negou a seguir.
Um mistério sombrio se instalou, como se aguardasse a marcha ré daquele táxi e o desembarque do único ser capaz de devolver brilho e cores ao espaço, naquele momento.
Nunca mais teve fim essa viagem
E uma curva interrogativa permanente, cada vez mais, se contorce na minha memória.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 20/08/2025
Alterado em 06/02/2026