A história de um lugar
No início, foi um lugar:
Brincos e brincadeiras rolavam.
Seres translúcidos fluíam pela casa.
Um amigo, o Kengo, no teto do meu quarto morava.
À noite, estrelas falantes cantavam,
enquanto a lua cineasta projetava folhas de coqueiro
nas paredes, nas fachadas.
A alegria, pra lá dos quintais, se alastrava.
A liberdade não cabia no espaço.
Depois, virou um país:
A brincadeira perdeu a graça.
O lugar ficou fosco,
a atmosfera ácida.
Gente má formou quadrilhas,
pessoas foram dominadas.
Agora é deserto. Incerto.
Lugar do amor ausente para sempre...
do navio encalhado...
das velas sem vento...
de uma vontade imensa de voar,
mas sem asas.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 21/09/2025
Alterado em 26/09/2025