Amar é insano?
Amar, em certos casos, pode ser insano, alguém disse. Mas eu discordo, porque não associo o ato de amar com racionalidade. Na altura do meu patamar etário, não tenho nenhum problema com esse sentimento, mesmo quando aliado à paixão. Não preciso mudar de casa, de cenário, nem chorar num poema ou desidratar a alma ao som de melodias patéticas com versos previsíveis, embora entenda a repercussão de qualquer tipo de música em nossos abissais.
Amo estrelas, o mar e seu horizonte. Amo o poente, o verde,
amo tudo o que é belo. E não tenho nada do que amo preso em uma gaveta, porque coisas e pessoas amadas são lindas soltas e espalhadas no tempo. Quando vim para o Rio, deixei ruas, ângulos de janela, deixei um rio e relevos. Ainda os tenho comigo e não vivo morrendo por eles, embora tenha sido muito difícil essa separação inicialmente.
Tudo o que amo está assentado em minha alma, acomodado em mim como se eu guardasse um cristal. Tudo foi absorvido definitivamente e passou a fazer parte das minhas estruturas. Nada foi expelido, tudo ficou tatuado na memória, independente do rumo que teve a vida de pessoas ou coisas envolvidas em meu novelo emocional-afetivo.
É preciso retirar o dedal do manto alheio, já costurado, arrematado com uma laçada final e que, portanto, não precisa de remendo.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 24/09/2025
Alterado em 06/02/2026