O compasso do tempo
A vida tem seus movimentos circulares contínuos que consistem num ir e vir permanentes. Tudo parece brincar de roda: em uma dança rotativa e translativa da Terra, Sol e Lua, o dia interrompe a noite e, nessa brincadeira, vêm as estações do ano com suas tempestades e vulcões previsíveis.
A boa notícia é que o mesmo movimento traz a primavera, uma estação bem dotada, com inclinações químicas, plásticas e arquitetas que nos oferecem os mais deliciosos perfumes e encantadas paisagens.
Os dinossauros? Não. Eles não retornam por uma questão evolutiva. São jurácicos como as despedidas amorosas. Vão para Nunca-mais ou Não-sei-onde e começa o vazio circular que não passa porque o amado não volta.
Sou do tempo do pop, rock'n'roll e da literatura varada pelas setas convulsas e confusas de um tempo louco, mas passo os dias ouvindo guarâneas geladas de saudades e lendo o Cantar Guaiado de Cecília.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 29/09/2025
Alterado em 28/07/2026