O Plim Acetinado de um Mago
.
Sempre fui inclinada a temperar um bocadinho mais a minha produção textual, apesar das alfinetadas de muitas e muitos outros — como sempre acontece com as mulheres… Constrangida, acabava escondendo meus versos e prosas que, recheados de licor apimentado, escorriam dos meus dedos feito saliva ante uma caixa de bombons.
Até que um belo dia, na UERJ, Guillermo Giucci lançou uma frase surpreendente sobre a turma — um costumeiro “plim!” imprevisível que acertou, em cheio, a Afrodite que me habita:— Deixem fluir a sensualidade do texto!
Embora essa expressão fosse uma orientação do mestre para o trabalho final do curso de Cultura Brasileira, o impacto alçou minhas asas e me trouxe a confirmação de que buscar formas sinuosas, esvoaçantes e fluidas para escrever sobre qualquer tema é o que valoriza e torna o processo literário atraente.
Há palavras que giram feito satélites em torno da minha cabeça e se aninham na minha memória afetiva para sempre. São faróis que me guiam, alimentos que me agigantam. Depois delas, não dá mais para ser a mesma pessoa.
Depois de alguns professores também.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 10/02/2026
Alterado em 06/06/2026