Cristina Ribeiro - Prosa & Verso
"Eu sei que canto e a canção é tudo" - Cecília Meireles
Textos
Desabafo
          Eu não consigo me sentir bem quando leio Casa Grande & Senzala. Gilberto Freyre é uma figura muito contraditória pra mim. Falou bem da cultura, escreveu bonito, mas... Não sei qual olhar usar para entendê-lo. E talvez ele precise mesmo é de um diagnóstico - ou eu.

          É chocante quando ele diz achar positiva a predisposição sexual das escravas, com relação àqueles senhores horrorosos do Brasil colonial, porque facilitou a miscigenação. Positiva? A que custo?

          Bem... eu não quero ser mais clara no meu texto. É terrível pensar que essa ideia resume a formação social brasileira. E muita coisa que ele diz, romantizando, serviu de base para as elites usarem como desculpa para um comportamento injusto com seres humanos vulneráveis (até hoje), e  ainda serviu de biotônico para a formação de uma mentalidade, acima de todas, que fragmentou o país.

          Tenho um verdadeiro horror ao Brasil Colonial - onde esse cultivo teve início.

          Freyre não se importou com o lado ético  do seu discurso. Hoje, principalmente, suas afirmações são tóxicas. Ele plantou uma semente maligna que, infelizmente, vingou, e ainda estamos pagando um preço alto por isso. A ideia, por exemplo, da mulata exportação, a mulata objeto de desejo, veio de onde?

          Não sou teórica, especialista em nada,  mas penso que a leitura freyriana de Brasil, embora tenha sua importância, só não deve ser descartada dos ambientes escolares, porque é um trabalho que pode nos ajudar a entender essa bruzundanga e, depois, passá-la a limpo.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 16/03/2026
Alterado em 16/03/2026