Inspiração culinária
Estava preparando uma sopinha
quando a poesia surgiu triunfante,
de repente
— como se obedecesse às leis da Física —
ora em meio às bolhas que explodiam,
ora nadando em círculos, na panela.
Às vezes, descia próximo do fogo,
se encantava com ele.
Ambas, chamas que ardiam.
A cada movimento — o gargalhar do fogo.
A cada colherada — da poesia, um pulinho.
(Os legumes também participaram:
chiaram um canto ao vapor,
em creme se fundiram)
De mim, não quis saber de prosa
nem de versos.
Queria só congelador.
Sabe o motivo?
É que o bumbum dela estava quente.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 29/03/2026
Alterado em 11/09/2026