O amor não cabe na boca
Há quem fale de amor
até o limite máximo
dos humanos.
Até o fim — eles cantam.
Quando não, escrevem,
gritam, espantam.
Humanos têm que sentir,
falar de amor
pra lá do fim,
além,
do outro lado
de tudo o que é maculado,
marcado por digitais
quase nulas
por tocar tantas mazelas.
O amor não se mistura,
ele é só
amor apenas,
cristalino, puro,
e não cabe em nenhuma boca.
É só uma ação.
Acontecimento.
O amor deve ser um tubo
de uma onda gigante
em que é possível flutuar,
passar, não por ele,
mas dentro.
Deve ser um lugar
onde todos os seres desumanos
— essas marés bravias,
que se arrastam em terra firme —
não podem interferir
nem ferir ninguém em seu nome.
Humano, que se preza,
não carrega arma.
Leva no peito
a maior delas:
amor.
O único explosivo,
que ao ser acionado,
envolve tudo,
e se espalha
como a luz.
• 25 de Abril: Dia do Amor
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 25/04/2026
Alterado em 18/08/2026