Mês de Maio
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Maio* é o mês das flores, das noivas, das mães e do meu aniversário. Tempo em que o meu coração funciona como um porta-jóias, transbordando amor, pai, mãe, filha e todas as coisas lindas e valiosas que a vida me deu, ora tatuadas para sempre na minha memória afetiva.
Embora eu tenha um coração flechado e reluzente, esses dias são um pouco difíceis. É a época em que mais me lembro dos pais. E eles não estão mais aqui.
Já estou preocupada com o final de semana: sábado vai ser meu niver, depois vem o domingo das mães. Sei que minhas lindas e afetuosas lembranças serão mescladas à tristeza dessa realidade atual de medo, guerras e extremismos...
Mas, para não ser injusta com a felicidade de ainda estar viva, vou fingir que meu mundo é um oásis no meio do deserto; preparar a mesa e confraternizar com minha filha e com todo um processo galáctico que anda espargindo estrelas no meu céu arterial há um bom tempo.
Plagiando Mário Quintana, quando fez oitenta, também vou dizer que estarei feliz por fazer 69 pela primeira vez, única vez e última. No ano seguinte, deixo a faixa etária sexy das sexagenárias, e entro para o grupo das setentonas. E, certamente, entrarei sobre solas de sapatos, que valem ouro, pelas danças e andanças por aí... com a convicção plena de que a tristeza é uma pedra no meio do caminho, enquanto a alegria é uma correnteza que nos leva para atmosferas aromáticas e coloridas.
É bom ter um certo tempo de vida, porque somos mais resilientes e sabemos que tudo passa. Só não passa essa chama que mantém aceso o nosso desejo de tocar a vida em frente. No meu caso, não muito, mas ainda por um bom tempo.
Gratidão.
* "Maio herdou o nome da deusa Maia, divindade romana que era celebrada nesta época. Deusa da terra e das flores. Maia é responsável pelo crescimento das plantas que nasceram na primavera."
Fonte: Google
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 04/05/2026