Do tipo nem-tanto
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Ah, eu não quero me encontrar com a morte, não...
Meu sonho é ser imortal como a Rita Lee, Chiquinha... a pianista que bagunçou o coreto da aristocracia metendo o maxixe nos salões.
Tenho pavor de pensar em mim coberta de terra,
morta!
sem poder respirar,
sem viver nem ver o que poderá
ou será podado
acima do meu baú-retangu-lar
meu lar de madeira que, espero,
seja um porta-joias de primeira
ou vão se ver comigo.
Talvez seja melhor usar a queima,
coisa tão velha e sempre atual.
Nada supera o fogo.
É sempre novo:
em segundos, gera um bolo
ou o transforma em pó.
Comigo pode ser assim,
da queima à ânfora
cheia do meu pó, meus eus,
o pó de mim
Pó-de-rosa
O pó da menina que, de tantas podas,
tentaram deixar quadrada, redonda,
mas ainda se redesenha em múltiplas formas
e assim será até a última hora.
É uma lei
Vou ter que morrer
A morte é um dom que tem a vida,
essa esplêndida rosa-airosa,
toda colorida (falsa!),
com uma carta tão feia escondida na cartola!
É por isso que eu sou romântica do tipo nem-tanto
Quantas vezes essas asas se apoderaram do meu canto
e acabaram num pântano
entre lagartos e cobras.
Meu romantismo é químico
um estrondo!
Rejeita teoria, escola...
É coisa que se preza:
ama gatos fofos
e morcegos pops
de olhos vermelhos
e cantos inaudíveis,
aterrorizadores
que, ufa!, eu nunca vou ouvir.
Ah, mas ainda não é hora,
aperta o cinto.
Sou do tipo que busca o dia no buraco mais difícil dos escombros noturnos.
O dia é a maior surpresa de todos os dias!
Ele vem
e eu voo
por causa da morte —
essa descarada que vai me nocautear,
me deixar deitada pro resto da vida.
Eu preciso correr!
Chegar junto!
No primeiro raio da manhã!
Antes que a noite eterna
me abrasse com seu manto vivo.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 13/06/2026
Alterado em 14/06/2026