O encontro
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De repente, eu descobri que ele mora perto de mim. Por acaso, nos vimos. Ele me estendeu a mão e sorriu com todos os sorrisos que tem.
Foi em uma calçada, num dia lindo, nublado. Mas via nitidamente a luz do sol acendendo as estrelas, maquiando o céu que nos cobria. E todas as aves saíram das tocas para ver o amor ocupando o lugar de todos os átomos de oxigênio e de todas as moléculas. Elas voavam felizes na maciez dourada de uma noite produzida para aquele momento.
Foi um dia como todos: me lembro das ruas esburacadas e do meu cuidado em cada passo; pessoas corriam, gritavam, as motos apressadas e raivosas quase atropelavam os paralelepípedos; mas quando ele pousou diante de mim, a vida esboçou uma nova pintura local, o universo calou todas as bocas e tudo que poderia produzir qualquer ruído. Foi um silêncio inexplicável que parecia ter afogado todos os sons em um mágico e surpreendente oceano. A cidade inteira interrompeu seu movimento; pessoas deixaram suas telas e, atrás das frestas, ficaram estáticas olhando para nós.
A cena principal, orquestrada por bem-te-vis e maritacas, ganhou ares de festa. Estávamos triunfantes em capas esvoaçantes, translúcidas. Senti um leve aquecimento na pele. Era os olhos dele viajando em mim, enquanto seus braços e sua boca se armavam para me dar um beijo.
Mas eu acordei... ah... eu acordei...
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 13/07/2026
Alterado em 13/07/2026