Vida: afinal, o que é?
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Se a vida pode nos levar à beira de um precipício ou de um rio profundo, sem pontes, também pode improvisar a corda e a embarcação. A travessia nunca é a mesma para cada um: a culpa é do barco, do vento, da altura, do remo... Mas todos que chegam, inteiros ou desidratados, porém salvos, trazem no fundo de seus olhos assustados e abatidos a gratidão, o alívio.
Encontrar pessoas é muito parecido com isso. Quantas nos trancam: umas nos deixam nas nuvens — nos elevam; outras nos levam para um quarto escuro.
Não foi à toa que os filmes de Hollywood enfeitaram as telas do cinema com seus musicais. Foi pelo menos para mostrar ao mundo como a vida deveria ser, não fossem os interesses rasos, escusos e a preferência de muitos pelo terror.
Quando se é criança, é normal o cultivo do amor, da pureza, da ingenuidade. Até surgir alguém com uns centímetros a mais, decretando o fim da história, do capítulo de um livro que deve ser enclausurado na memória. E aquele infante começa a se ajustar, totalmente desequipado, a quadros novos de um mundo desconhecido. Ele entende que não tem mais idade para entregar correndo uma flor a alguém com carinho e amor; entende que não dá mais para brincar no carrossel do parquinho, rir alto, dar pulinhos e gritos excitantes e cantar girando sob as estrelas. Não. Não é possível mais fazer isso. É coisa de maluco.
Crescer implica chegar quase à beira de uma sacada sem mureta no último andar. É atingir a fronteira de um novo lugar e ouvir alguém dizer com ar de deboche que você ainda vê desenho animado. No rosto da pessoa crítica dá para ver a sombra da indignação para todos os gestos pueris em outros patamares etários.
Mas parece que esqueceram de incluir na lista de procedimentos adultos, especialmente daqueles que ocupam cargo de comando, uma série de elementos morais e éticos que todo ser em idade madura deveria conhecer e aplicar na vida diária com muita dedicação. Uma delas seria não meter o dedo nos portais dos sonhos alheios, não importa a idade. Adulto que se preza deve tornar decreto o direito de sonhar, com destaque na publicação do documento para a liberação de festejar com entusiasmo todas as conquistas, mas sem fogos barulhentos.
Feio é fazer da vida um campo de concentração; é impedir o fluxo do amor, da alegria, do prazer. Uma vida sem humanidade não passa de uma barricada em um campo de batalha ao redor do planeta.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 06/08/2026