A Virilha da Xuxa
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Bobagem começar um texto apontando para absurdos e aberrações da vida humana e do planeta. E são tantos que o melhor é nem dar plateia para meia dúzia deles. Até porque, ainda que os maus entrem em cena, "as coisas lindas, muito mais que findas...", como diz o Drummond, permanecem e superam tudo.
Mas a virilha da Xuxa... apesar de tudo, se tornou um tema mecanicamente repetido. Desde o seu grande show recente e lotadíssimo, ouvimos os gritos dos incomodados e vimos esse tal ponto comum a todo ser humano virar tema e alcançar ou ganhar os discursos de patamares inteligentes que foram obrigados a acudir a Cultura em sua defesa real.
Andei usando minha lupa nas fotografias — devo até pedir desculpas à Estrela pela indiscrição do meu olhar meticuloso —, mas não percebi nada que possa justificar tantas exclamações negativas. Apenas indaguei aos quatro cantos do Universo: será mesmo ou terá a virilha da Xuxa algum tipo de problema?
Essa criatura linda, loura, chegou a um patamar sexagenário esbanjando sedução e uma quase perfeição escultural. Os prejudicados espiritualmente, claro, não podem aceitar nem entender isso. Talvez porque a "sorte" os tenha traído. Eles nem sequer conseguem perceber os diversos formatos que tem a própria vida. São escravos de seus recalques e estão aprisionados em suas próprias almas alfinetadas, de uma tal maneira, que mal conseguem ver com olhos puros o retrato das coisas. Esse é o problema. E não é uma decorrência de idade, de intelecto... É um problema abissal que habita o indivíduo que permite às ventanias esculpirem suas rochas, que a cada segundo se desmancham. Eles não sabem, mas vivem enterrados nisso, sufocados em seus escombros extremamente negativos para a visão. Já ouvi que esse "negócio" de literatura é uma bobeira, que o Caetano Veloso é um velho que não se enxerga e que o Chico Buarque... nem importa. Quem falou sobre ele mil besteiras, fechou até para o teatro as portas. Após assistir à peça "Gota d'Água", no Teatro João Caetano, e ouvir uma trilha sonora lindíssima; testemunhar, ao vivo, o show de representação da Bibi Ferreira e da Fernanda Montenegro, o pobre coitado sentou ao volante, olhou para trás e, com a frase "nunca mais vô a esse tal di tiato", empestiou o carro inteiro.
Enfim, a Xuxa é um ser que corresponde aos padrões, tadinha... Perdoem! Ela não tem culpa. E nem isso deveria ser uma lei. Ninguém é mais deficiente em todos os sentidos, corpo e alma, do que a vida. Essa entidade, anjo para uns, estrepe para outros, é formada de avessos, direitos, galhos verdes e secos, relvas e cascalhos. A vida tem farpas pontiagudas, a vida também mata. E pobrezinha... Ainda tem que abrigar os ingratos em seus seios milagrosamente nutritivos e fartos.
Creiam, meus amigos, o problema da vida não é a guerra. O problema dela é a Paz.
A propósito: deixem a virilha da Xuxa acontecer. Vai doer menos.
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 08/08/2026
Alterado em 08/08/2026