O Raio e a Rocha
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Não sei se é um equívoco, mas me parece que estamos vivendo a síntese de toda a história da humanidade. Hoje, o mundo é um grande mercado em formato de pirâmide. Tem tudo: dos patamares acadêmicos (fora de qualquer balaio, claro!) a outros tantos de poderes — e é recomendável pensar sobre o que é o poder de fato. Enquanto na base, os dominados se arrastam entre pedras e sustentam tudo, apesar da rica reunião de força em grande quantidade.
Nesse grande mercado, a Moda cravou um espaço influente que dita tendências alucinantes e contaminantes, mas nem sempre consegue dialogar com todos. Grande parte da humanidade segue, por conta própria, metida em seus moldes ou modos talvez por questões financeiras, religiosas ou outras variantes. Muitos entre esses não estão aprisionados à ideia de que é feio ou antiquado o que vestem ou usam. É uma outra forma de obediência que permanece em questão para cada um. Pessoas usam o que podem ou o que lhes é determinado pelos seus líderes. É o caso do véu, da burca, do pano da costa, da túnica...
Já vi algumas pessoas nuas, por aí, entre as vestidas, totalmente indiferentes, com uma postura natural, pueril de um inocente. Ainda me lembro de ter visto uma cena viva de cinema, foi na janela de um ônibus. Até duvidei do que vi, mas fiz questão de insistir no foco e lá estava um homem totalmente nu atrás de uma fogueira, enquanto seus braços convulsos apontavam para o alto como que conversando com o universo. Provavelmente, isso acontecia muito na Idade da Pedra e, claro, não havia por lá nenhum bárbaro empunhando metralhadoras a esmo. Pensar nisso causa um certo transtorno à ideia de evolução, mas não há o que fazer.
Minha mãe se preocupava tanto em limitar minha visão com antolhos para me poupar da realidade suja, mas eu já vi de tudo nesse belo mundo imundo maquiado de tecnologia que nem sempre funciona.
Há uma discrepância no álbum fotográfico global da humanidade hoje. Sei da questão cultural, mas existe um paradoxo entre duas forças que envolvem o planeta: uma tem o peso abafado de um manto que sufoca, cega e impede a oxigenação das ideias, enquanto a outra tem a velocidade de um raio, e segue rumo a novos horizontes, recursos, meios de vida, na base do "Salve-se quem puder!". Cada vez que alguém atribui um acontecimento a Deus ou ao demônio, a diferença entre essas forças se destaca como manchas no panorama evolutivo da cultura mundial.
E assim, caminhamos...
Cristina Ribeiro R
Enviado por Cristina Ribeiro R em 15/08/2026
Alterado em 15/08/2026